sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Saga parisiense: capítulo 1

Manhã de terça-feira, 22 de setembro de 2009. Apresso o passo à procura de um banheiro, quando determinada cena me chama a atenção. Uma senhora de aproximadamente sessenta e poucos anos gesticula indignadamente com o segurança da galeria em que nos encontrávamos. Mesmo sem entender uma só palavra pronunciada pela mulher e retrucada pelo jovem homem, percebi que ela precisava de algo que não encontraria ali, naquele lugar. Sem sucesso com a investida, ela se volta para mim, ainda indignada e, no idioma local, o francês, parece dividir comigo a reclamação. Na tentativa de demonstrar educação, encoberta previamente pela atitude de “bisbilhoteira”, enrolei um pouco do que tinha aprendido para a viagem e lhe disse que, infelizmente, eu não falava francês. Imediatamente a senhora franziu as sobrancelhas e, num olhar desconfiado, retrucou “à francesa”: “De que país você é?” – Consegui compreender a pergunta, pois aquelas palavras também faziam parte do aprendizado “de emergência” para a viagem e prontamente respondi, orgulhosa pelo entendimento e também pela resposta, ora (!): “Brasil!, digo, ‘Brésil’! ‘Brésil’!”. Foi então que, antes que eu pudesse me esforçar para estabelecer um diálogo com aquela nervosa, porém simpática, senhora, ela colocou um ponto final nessa empreitada: “Ora, então porque não falamos português?”

Arco do Triunfo, avenida Champs-Élysées.

E seguindo a onda cultural que invadiu o blog, decidi começar hoje mesmo um plano antigo. Registrar por aqui alguns pontos interessantes de uma experiência marcante: a capital francesa, Paris.Bom, resolvi começar o relato com essa história porque retrata um dos fatos que mais me surpreendeu nesta viagem: a quantidade de brasileiros visitando a França em uma época que não corresponde à alta temporada. E foram muitos, em muitos lugares. Para mim que não estava propriamente ligada a uma excursão, foi uma grata surpresa. Virou notícia!

*Nota: A conversa com a senhora brasileira, moradora do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, se estendeu por mais alguns minutos. Ela realmente estava reclamando com o segurança e, vejam só, pela falta de banheiros naquela galeria, localizada na avenida Champs-Élysées.

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