domingo, 10 de fevereiro de 2008

Clichês americanos

As eleições norte-americanas para eleger o novo presidente dos Estados Unidos estão marcadas para o dia 4 de novembro. Até lá, a disputa entre os candidatos ainda irá oferecer, ao mundo, muitos capítulos de uma novela que está longe de chegar ao fim. Clichê maior de reportagens, crônicas, comentários, ou de qualquer texto, comparar acontecimentos da vida real com os promovidos pela ficção não é novidade, muito menos agrada a todos. Mas se encaixa perfeitamente ao cenário político americano.

Há duas semanas, os pré-candidatos democratas, a senadora Hillary Clinton e o senador Barack Obama, trocavam insultos a cada debate. Seja ao vivo, seja em entrevistas individuais, o barraco era armado e o circo pegava fogo. Ignorando a euforia carnavalesca, os dois resolveram deixar de nadar contra a maré das pesquisas, que só registravam queda na popularidade de ambos, e travaram uma trégua diante de milhões de espectadores, no último dia primeiro, em Hollywood. Ofensas de menos e elogios de sobra, os dois aspirantes ao cargo de presidente dos EUA não entraram em conflito nem ao discutir pontos polmicos, como saúde, imigração e a guerra do Iraque. É visível que, em um futuro não tão distante, cheguem a considerar uma chapa única, sendo um presidente e o outro vice.

Enquanto isso, reviravolta no território republicano. O empresário e ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, abandonou a corrida pela indicação do partido às eleições de novembro, após o resultado insatisfatório obtido nas prévias da “Super Terça”. Apesar da campanha milionária, os “calos no sapato” de Romney o impediram de prosseguir com a pré-candidatura. Os tais “calos” se tratam do senador, pelo Arizona, John McCain, que lidera disparado as prévias republicanas, vencendo em estados importantes como Nova York e Califórnia; e do “azarão” da vez, o pastor Mike Huckabee, que, mesmo com pouco dinheiro em caixa, conseguiu vencer as prévias em estados de maioria conservadora, como Alabama, Geórgia, Tennessee, Arkansas e Virgínia Ocidental.


A última de Obama


Talvez não a última, mas uma das mais recentes façanhas do pré canditado democrata às eleições presidenciais dos Estados Unidos, foi a veiculação de um vídeo que tem como objetivo espalhar aos quatro ventos o bordão: “Yes, we can” (Sim, nós podemos). O discurso de Barack Obama foi musicado e apresentado nas eleições primárias de New Hampshire, há um mês, e em muito lembra a fala de Martin Luther King.

Aproveitando-se do carisma e do sinônimo de inovação transmitidos por sua imagem, Obama busca angariar os votos de mulheres brancas e de hispânicos – perfil que caracteriza a maioria do eleitorado de Hillary Clinton – e preservar seu favoritismo entre negros e homens jovens.

Jesse Dylan, filho do roqueiro Bob Dylan, dirigiu as gravações do vídeo, que surgiu da idéia de will.i.am (um dos integrantes do Black Eyed Peas), que compôs a música e reforçou o “time” de Obama, composto também pela atriz Scarlett Johansson e pelo pianista Herbie Hancock.

Foto: Routers (retirada do Blog do Noblat)

Confira o vídeo "Yes, we can" no YouTube.

Nenhum comentário: